Na campanha arqueológica de 2005, levada a cabo no pátio do nº 3 da Rua de S. Mamede, foi detectada, no limite Este da estrutura do postcaenium, também identificado nessa altura, uma estrutura hidráulica composta por um conjunto de manilhas cerâmicas sobrepostas.
Estas manilhas, visualizadas até ao momento em número de três, posicionam-se verticalmente umas sobre as outras, atingindo uma altura interna visível de 2,30m e um diâmetro máximo de 0,85m (face exterior). O sistema de encaixe umas nas outras é realizado através do respectivo bordo: aba com lábio superior sobrelevado, no qual encaixaria o lábio inferior da manilha superior. A intenção de impermeabilizar esta estrutura fez com que as juntas entre as tubagens fossem recobertas com pasta de cal em todo o seu perímetro interno.
Estas tubagens foram detectadas a uma cota de , situando-se na base de uma possível fossa, aberta numa camada de terra argilosa impermeável, de coloração castanha avermelhada.
A classificação desta estrutura como fossa prende-se, essencialmente, com o facto de, no seu interior, terem sido encontrados inúmeros recipientes cerâmicos fragmentados, bem como um elevado número de material osteológico e de bivalves. Apesar de, inicialmente, se terem individualizado os fragmentos cerâmicos encontrados no interior e exterior das tubagens, confirmou-se que muitos deles colavam entre si, o que permite concluir a existência de um único momento de deposição. Assim, a desactivação da estrutura hidráulica será coeva ao do seu enchimento com o espólio cerâmico que agora se refere, tendo sido, muito provavelmente, o abandono funcional das tubagens que terá levado ao seu aproveitamento como local de despejo.
Desde 2005 que este espólio se encontra a ser estudado. Os milhares de fragmentos que, até o momento, já foram integralmente inventariados, aguardam ainda um estudo pormenorizado. Já objecto de estudo foi o conjunto de cerâmica vidrada recolhido neste local, que, cronologicamente, se encontra balizada entre o séc. XIII e o séc. XIV.
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| A estrutura hidráulica de que agora falamos localiza-se junto ao muro do postcaenium, que se vê no lado esquerdo da imagem. Do lado direito situa-se o alicerce do edifício contíguo ao pátio.
Desenho de corte onde se encontram representadas as várias estruturas e se visualizam as manilhas, em número de três, encaixadas umas nas outras. |
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Quatro fragmentos cerâmicos de prato (sem colagem entre si), com vidrado muito brilhante, verde na face inferior e na face superior, sobre um fundo vidrado a amarelo muito claro. No interior, a peça possui uma pintura a óxido de cobre, de tonalidade verde mais clara delimitada a manganês. Observam-se diversos motivos estilizados - palmetas, estrelas e o início de um motivo circular, preenchido a amarelo mais escuro que poderá corresponder a uma pinha.
Estas peças foram produzidas em Saintonge, localidade próxima de Paris e a sua cronologia é do séc. XIV; |
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Taça esmaltada a branco estanífero, com decoração geométrica a azul no interior. Trata-se de um pequeno fragmento de fundo plano, com ligeiro ônfalo e arranque inferior da parede.
No exterior, igualmente com revestimento esmaltado, é ainda perceptível uma decoração ténue dourada, constituída por duas linhas horizontais, a partir das quais surgem traços oblíquos ascendentes.
Esta peça é de importação, sendo, peças características evidenciadas pela pasta, de produção de Paterna da 2ª metade do séc. XIV. |
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Pequeno fragmento de taça com bordo extrovertido e boleado esvasado e ressalto para o interior, eventualmente para assentamento de uma tampa. A peça apresenta, na face exterior, uma decoração em corda seca, com motivos aparentemente fitomórficos, a branco, castanho e verde. No interior possui um vidrado melado claro, de tonalidade esverdeada.
Esta peça foi produzida na região de Málaga e cronologicamente situa-se entre o séc. XI e o séc. XII. |
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Desenho, em corte, de uma bilha em cerâmica comum do séc. XIV. Este tipo de contentores de líquidos é bastante frequente. Este exemplar, embora não tenha conservado o bordo, apresenta um colo acentuadamente alto, ligeiramente esvasado. |
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Desenho, em corte, de dois alguidares em cerâmica comum do séc. XIV. Este tipo de perfil é bastante habitual em peças deste período, sobretudo no que diz respeito à tipologia do bordo exterior, estas peças encontram-se decoradas com digitações junto ao bordo, bem como várias caneluras, decoração que é realizada antes da cozedura da peça. |
Investigadores do Projecto:
Lídia Fernandes; António Marques; Andreia Torres