Os trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos no Teatro Romano de Lisboa resultam de recentes intervenções arqueológicas, na sua grande maioria em novos locais, mas também da reinterpretação e análise de estruturas já exumadas.
A análise dos materiais cerâmicos e do restante espólio arqueológico recolhido, constituem elementos preciosos para o conhecimento mais pormenorizado do quotidiano das populações que habitaram a cidade de Lisboa, não apenas durante a época romana, mas também nos períodos subsequentes. É o estudo destes artefactos que permite perceber os seus modos de vida, o contacto com outros povos e culturas, as relações comerciais estabelecidas, as modas e os gostos em voga, ou seja, conhecer de que modo se vivia.
No entanto, a cultura material não abrange todos os aspectos da vida humana, o que faz com que os arquivos e as fontes documentais permitam o desenvolvimento de estudos e a obtenção de outro tipo de informações não fornecidas pelo espólio material, neste caso, sobre o teatro romano e sobre as diversas estruturas que se foram erigindo na sua proximidade.

A investigação ceramológica tem trazido grandes informações sobre a ocupação desta área da cidade, em particular para os períodos pré-romano e romano.
As cerâmicas da Idade do Ferro, documentam contactos com o mundo oriental desde épocas recuadas. Materiais de épocas posteriores à construção do Teatro, permitem conhecer distintas ocupações que o edifício teve, bem como novos contactos com novas populações o que nos é atestado por peças de importação.
A reconstituição das peças de cerâmica a partir dos múltiplos fragmentos recolhidos nas escavações é um dos primeiros passos para este estudo.
A investigação documental e bibliográfica, levada a cabo sobretudo nos arquivos municipais e na Torre do Tombo, tem permitido aprofundar o conhecimento sobre a ocupação que o local, onde foi construído o teatro romano, teve em épocas posteriores.
Especial interesse tem suscitado o Celeiro da Mitra, edifício identificado no decurso das campanhas arqueológicas de 2005 e 2006, que aproveitou as antigas estruturas do teatro para a sua edificação. A informação disponível sobre este celeiro era, até ao momento, muito reduzida, tendo as intervenções arqueológicas permitido a sua descoberta.
