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O monumento

Aspectos construtivos

Edificado a meio da encosta, na actual colina do Castelo de S. Jorge, a construção do teatro de Olisipo aproveitou o declive natural para o assentamento da parte inferior das suas bancadas. Os primeiros degraus da imma cavea foram talhados na rocha e a zona inferior – área da orchaestra e hyposcaenium – foi rebaixada, desbastando-se o afloramento rochoso aí existente. Com a matéria-prima resultante desse desbaste, foram talhados grande parte dos elementos arquitectónicos que decorariam o monumento, assim como as cantarias que formavam os degraus e as estruturas feitas em opus quadratum ou semi-quadratum. O mesmo material foi utilizado para a realização do opus caementicium, empregue neste monumento de forma intensiva.

O opus caementicium utilizava a pedra local, o calcarenito, conjuntamente com areia de rio, sobretudo quartzítica, formando um material de extrema coesão e durabilidade. Este cimento tem também a vantagem de ter uma produção rápida, não exigindo operários especializados e, sobretudo, de ser bastante mais económico que a utilização do opus quadratum, que obrigava ao talhe individual de cada um dos elementos. 

O emprego deste material é evidente em diversas áreas do teatro de Olisipo:

- degraus superiores da imma cavea;
- estrutura Norte do aditus maximus nascente;
- infra-estrutura do teatro: muros semicirculares;
- preenchimento dos espaços ocos deixados pelo afloramento rochoso;
- estrutura interna do muro do postcaenium.

Prumo, séc. I.

 

 

 

 


Prumo, séc. I.
Intervenção arqueológica de 2005 (área do pátio - a Sul do muro do postcaenium)

 

As campanhas arqueológicas de 2001, 2005 e 2006 possibilitaram a descoberta do enorme muro do postcaenium.

Esta estrutura tinha uma dupla função: por um lado a de suportar a fachada cénica, de cariz simplesmente decorativo, por outro, a de sustentar a colina, de grande declive, onde o teatro se implantou.

O aparecimento desta estrutura constitui um dos elementos mais importantes das últimas campanhas, permitindo esclarecer qual a solução adoptada para vencer o enorme desnível topográfico existente neste local entre a R. de São Mamede, a Norte e a Rua Augusto Rosa, a Sul.

Foram, assim, construídos grandes patamares ou terraços, com uma orientação sensivelmente E/W, suportados por enormes muros alicerçados no próprio afloramento rochoso, ou em margas mais estáveis e compactas. Este ambicioso projecto de engenharia, alterou e marcou até aos nossos dias a topografia desta área da cidade de Lisboa, tal como pautou algumas das soluções urbanísticas aqui adoptadas.

 

Corte Hipotético do Teatro

Nesta reconstituição topográfica do local de implantação do teatro, é perceptível a imponência da estrutura do postcaenium e o seu impacto na cidade romana de Olisipo. É visível, igualmente, a solução adoptada para suportar o desnível do terreno.


Aspectos Decorativos

Da decoração do teatro romano de Olisipo, poucos elementos chegaram aos nossos dias. No entanto, é perceptível a diferença entre a época de fundação do teatro – inícios do séc. I – e a altura em que a orchaestra e a estrutura do proscaenium sofreram remodelações – em 57 d.C, custeadas por um elemento do colégio de sacerdotes do culto Imperial. Estes actos de evergetismo eram normais no Império romano, tendo as acções de propaganda realizadas no teatro romano de Olisipo, contribuído para acentuar a vocação destes edifícios públicos para tais acções.

Em 57d.C. foi inaugurado um novo frons pulpitum empregando materiais e técnicas distintas das usadas anteriormente. Também a orchaestra foi pavimentada com lajes de mármore de cor cinza e rosa, formando um padrão quadrangular.

Para a imagética decorativa foi escolhido o mármore branco. Os poucos exemplares de estatuária que sobreviveram resumem-se a duas representações de sileno e um fragmento de cabeça, possivelmente masculina. A escolha deliberada da matéria-prima a utilizar em cada um dos elementos, procurou um efeito cenográfico óbvio, bastante distinto do empregue na fase anterior.

Aspectos Decorativos

 

 

 

 


Fustes de coluna e capitéis jónicos realizados em pedra local, biocalcarenito, que seriam depois estucados e pintados. Esta técnica decorativa foi frequentemente empregue antes da utilização generalizada do mármore e de outras pedras coloridas. Estes elementos, assim como o friso decorado com óvulos e lancetas, pertencem à primeira fase de edificação do monumento.

Em 57d.C. foi inaugurado um novo frons pulpitum empregando materiais e técnicas distintas das usadas anteriormente. Também a orchaestra foi pavimentada com lajes de mármore de cor cinza e rosa, formando um padrão quadrangular.

Aspectos decorativos Aspectos decorativos  Aspectos decorativos

Para a imagética decorativa foi escolhido o mármore branco. Os poucos exemplares de estatuária que sobreviveram resumem-se a duas representações de sileno e um fragmento de cabeça, possivelmente masculina. A escolha deliberada da matéria-prima a utilizar em cada um dos elementos, procurou um efeito cenográfico óbvio, bastante distinto do empregue na fase anterior.

Aspectos decorativos Aspectos decorativos Aspectos decorativos

O revestimento com estuques, amplamente coloridos, foi comum na decoração. Alguns exemplares, como estes fragmentos que aqui se mostram, foram encontrados no decurso das recentes intervenções arqueológicas

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