Fragmento de boca de ânfora tipo Mañá C2b produzida na área do Estreito de Gibraltar, conservando ainda o arranque das paredes. O bordo é amplo, extrovertido e moldurado, apresentando uma espécie de aba vertical.
Este tipo de ânforas piscícolas, produzidas na zona da Baía de Cádis, na costa de Málaga e na actual costa marroquina, foi amplamente distribuído na Península Ibérica e em todo o Mediterrâneo centro-ocidental entre os meados do século II a.C. e o último quartel do século I a.C.
Em Portugal, foram identificadas na região a Sul do rio Mondego, principalmente nas zonas costeiras e nos vales dos grandes rios, encontrando-se particularmente bem representadas no vale do Tejo: Santarém, Chões de Alpompé e Lisboa.
A presença desta peça, a par de outras de idêntica tipologia encontradas no Teatro romano de Lisboa, comprova algumas das redes comerciais estabelecidas entre Olisipo e outras cidades da Península Ibérica ou, neste caso, entre a parte mais ocidental da província da Lusitânia com a província da Bética. A indústria de transformação piscícola existente na cidade de Lisboa exigia grande quantidade de contentores para o envasamento desses produtos, tendo sido também utilizadas ânforas que eram trazidas de distintos sítios do Império.