Fragmento de cabeça de estátua masculina, provavelmente representando Apolo ou Dionísio. De um dos lados apresenta uma fita que prende parte do cabelo e do outro uma taenia, um pano ou faixa, que recobre parte da cabeça. A parte superior é repuxada para cima, encontrando-se o cabelo disposto ao longo da fita, distribuído em mechas e finalizando em caracóis. Por baixo da fita os cabelos caem quase lisos, seguindo um padrão repetitivo.
Em termos escultóricos, esta peça evidencia um bom trabalho técnico, com os vários motivos – mechas, caracóis, ondulação – bem delineados, como que desenhados, mas com pouca expressão volumétrica. O trabalho com recurso a trépano está praticamente ausente, o que, em termos técnicos, afasta esta escultura do trabalho escultórico evidenciado pelos dois exemplares representado Sileno que também terão decorado o teatro.
Esta peça surgiu no decurso da primeira campanha de escavações realizada no Teatro Romano por D. Fernando de Almeida em 1964. Foi então por ele publicada interpretando-a como “… parte superior da cabeça de uma mulher, lavrada no século I D.C.”. O facto de o autor ter pensado que os caracóis se localizariam na parte de trás da nuca terá contribuído para os considerar arranjados numa espécie de “carrapito” e associar este fragmento de cabeça a uma figura feminina.
A hipótese de esta figura se tratar de uma representação de Dionísio, resulta da sua comum associação à figura de Sileno, seu professor e companheiro, sendo muito provável a sua presença no teatro.