Câmara Municipal de Lisboa:
Pesquisar neste site: 
Fragmento de capeamento com baixo-relevo 
Fragmento de capeamento com baixo-relevo 
Fragmento de capeamento com baixo-relevo 

Mármore
Séc. I d.C.
Prov.: Ruínas do Teatro romano. Intervenção arqueológica de 1965-1967
Dim.(mm): alt.: 325; larg. 116; prof. 63/65
Nº Inventário: TRL/1965-67/01LAP

 

Fragmento de placa de revestimento, ou capeamento parietal, em mármore branco quartzítico, com parte de um baixo-relevo onde é visível o perfil de uma figura em movimento sob uma legenda em grego.

As letras que restaram da legenda, ΜΕΛΠΟ, são suficientes para reconhecer a palavra Μελπο[μένη], ou seja Melpomene, a musa da Tragédia. Este fragmento integraria possivelmente parte de um friso onde poderiam também estar representadas as restantes musas, em número de oito. Alguns autores (como por exemplo Jorge de Alarcão, 1982, p. 290) têm defendido a ideia de que este baixo-relevo, a par de outros que não nos chegaram com as restantes musas, ocuparia as faces rectas dos muretes que ligavam os nichos do proscénio. No entanto, pensamos que é difícil, com os dados disponíveis, saber com toda a clareza o local exacto onde originalmente se encontraria o baixo-relevo de Melpomene, mas não seria forçoso que o seu lugar fosse o proscénio. Se atendermos ao facto de a espessura deste elemento ser mais espesso do que o espaço disponível naquelas faces dos muretes, das quais resta o negativo do local de colocação de algum capeamento, depara-se mais dificil ainda a sua atribuição a esse local. Também o tardoz deste baixo-relevo se apresenta bastante irregular o que não se adequa à homogeneidade da superfície que as faces dos referidos muretes oferecem.

 As musas, para além de cantoras divinas cujos coros alegravam os deuses, eram também as inspiradoras dos pensamentos e criações humanas proporcionadoras de bem-estar e tranquilidade. Segundo a tradição mais corrente, as musas seriam nove e apesar de partilharem as suas funções, ter-se-iam também especializado por tarefas. Assim, se Melpomene tutelava a Tragédia, Tália inspirava a Comédia, Calíope os grandes géneros poéticos como a Epopeia, Érato a poesia lírica coral; Terpsícore a Dança, Euterpe a Música, Clío a História e Urânia a Astronomia.

 As qualidades benfazejas das musas tornam-nas num tema muito assíduo na decoração de edifícios, como o Teatro Romano de Lisboa, onde tinham lugar muitas das artes que estas divindades inspiravam. A legenda escrita em alfabeto e língua grega pode talvez relacionar-se com a grande quantidade de antropónimos de origem grega em Felicitas Iulia Olisipo, o que poderá indiciar contactos profundos com o Mediterrâneo Oriental, onde o uso da língua e alfabeto grego chegava a ultrapassar a utilização do Latim.

Contactos
Museu do Teatro Romano

Pátio do Aljube - Lisboa

1100-059 Lisboa

Tel: 21 882 03 20

email: museudacidade@cm-lisboa.pt

© 2008 Câmara Municipal de Lisboa
União Europeia - FEDER
POS_Conhecimento
Câmara Municipal de Lisboa