Outros vestígios arqueológicos podem ser vistos no Museu do Teatro Romano. Para além das ruínas que se conservam do teatro, temos a possibilidade de ver outros vestígios, de outras épocas, que foram sendo construídas ao longo do tempo e que se sobrepõem ao teatro, ou se localizam na sua envolvente.
O Teatro romano constitui-se, pela imponência e solidez das suas estruturas, um pólo organizador da urbanística da área onde se implanta. Algumas das suas paredes são aproveitadas até à actualidade e a sua orientação pautou a implantação de algumas ruas, sendo muitos dos elementos arquitectónicos reaproveitados em novas construções.
Este local é dos únicos locais em Lisboa onde é tão evidente esta sobreposição de séculos e de culturas. É uma decapagem do mais recente para o mais antigo, onde os muros se elevam aproveitando os antigos e onde se assiste a um aproveitamento integral das grandes estruturas do teatro que continuam, na actualidade a ditar algumas das soluções urbanísticas do local.
O Celeiro da Mitra foi um edifício construído ao lado do antigo teatro romano aproveitando uma das faces da estrutura do postcaenium para a sua edificação, o que ocorreu nos finais do séc. XVI, tendo sobrevivido até inícios do séc. XIX.
Na intervenção arqueológica realizada em 2001 e 2005 foram detectados vestígios desta construção. Deste contexto foram recolhidas várias talhas que evidenciam a vocação desta instituição religiosa que tentava acudir à população mais pobre em épocas de fome.
Algumas das estruturas do antigo Celeiro da Mitra. O arco ao fundo é uma infra-estrutura dos edifícios pombalinos que mais tarde foram edificados neste local. Observe-se a escada, organizada em dois lanços, que permitia o acesso ao 1º piso do Celeiro. Em baixo é possível ver o antigo “Beco do Aljube Por Detrás do Celeiro da Mitra”, pavimentado com pedras basálticas.
O edifício possuía dois pisos, separados entre si por um sobrado. O acesso ao piso superior era feito pelo exterior, através de uma escada de dois lanços separados por um patim no qual foi encontrada uma pedra de embrechados (finais do séc. XVI ou inícios do séc. XVII) que foi reaproveitada neste local.


Localização, na cidade anterior a 1755, do antigo edifício do Celeiro da Mitra (Vieira da Silva, A Cerca Moura de Lisboa, ed. C.M.L., Lisboa, 1939, Est. III
Entre 2005 e 2006 a intervenção arqueológica abrangeu a zona do pátio. Para além de múltiplas estruturas que então foram encontradas, interessa sublinhar as que se referem ao monumento romano.
As estruturas detectadas são o que resta do antigo postcaenium do teatro, ou seja, a estrutura que suportava a frente cénica. No caso do teatro de Lisboa, este grande muro, que tinha uma função nitidamente estrutural, localiza-se a Sul das ruínas do teatro escavadas entre 1964-1967. Dada a topografia deste local, com um enorme declive para Sul, a implantação desta estrutura tinha também como objectivo a de consolidar a parte da colina onde o teatro foi edificado.

A área rebaixada no interior deste enorme muro poderia ser aproveitada para os camarins e para guardar o material de apoio às encenações. Estes espaços eram designados por parascenia os quais, no início da época romana eram de dimensão bastante diminuta.
Esta enorme estrutura tinha uma largura de cerca de 4,5m. Parte dela ainda continua por descobrir por baixo da Rua de S. Mamede. Nos finais do séc. XVIII parte deste enorme muro foi aproveitado como alicerce. Mantém conservada uma altura superior a 7m.

Corte gráfico do edifício do teatro com a reconstituição das suas várias partes (frente cénica, orchaestra, bancadas e pórtico superior) e sua relação com a estrutura do postcaenium (lado esquerdo) que funciona como infra-estrutura de sustentação da frente cénica, assim como da colina onde o teatro foi construído.