As obras de adaptação de um dos edifícios que actualmente constituem o Museu, proporcionaram a realização de novas intervenções arqueológicas. Os trabalhos permitiram conhecer alguns aspectos urbanísticos da área onde foi construído o Teatro, assim como a recolha de espólio que remonta ao séc. IX/VIII a.C.
No nº 3-A da Rua de S. Mamede, foram colocadas a descoberto estruturas do antigo Celeiro da Mitra, tendo esta edificação seiscentista integrando o muro do postcaenium do teatro na sua estrutura.
Apesar de ter sido afectado pelo terramoto de 1755, o Celeiro pertencente à Mitra de Lisboa, continuou a funcionar até aos finais do séc. XVIII ou inícios do séc. XIX. Actualmente é quase inexistente o conhecimento documental que se tem sobre esta instituição, o que confere aos dados obtidos pela arqueologia uma importância extrema.

Perspectiva das estruturas dos sécs. XVI/XVII do Celeiro da Mitra na fase de intervenção. Ao fundo, a face Sul da estrutura do postcaenium do teatro, construído com grandes pedras esquadriadas.

Perspectiva superior da estrutura do postcaenium onde assenta a parede pombalina de um edifício. Actualmente estas ruínas são visíveis no local, constituindo um dos núcleos expositivos do Museu do Teatro Romano.

Núcleo expositivo com algumas das estruturas do Celeiro da Mitra. Em primeiro plano uma escada em pedra com dois lanços, de acesso a um pequeno pátio com pavimento em seixo rolado, designado por “Beco por Detrás do Celeiro da Mitra”. Ao fundo, o grande arco entaipado que cortou as estruturas dos sécs. XVI/XVII e que constitui uma infra-estrutura construtiva dos edifícios pós-pombalinos. Actualmente estas ruínas são visitáveis no local, constituindo um dos núcleos do Museu do Teatro Romano.