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CERÂMICA FINA DE ÉPOCA ROMANA
Teatro Romano > Investigação > Estudos > Cerâmica fina da época romana
Neste grupo incluímos dentro da chamada cerâmica fina de mesa a terra sigillata e a cerâmica de paredes finas. Também está incluído o conjunto de lucernas em cerâmica. O estudo integral destes conjuntos é extenso, devido sobretudo à enorme quantidade de fragmentos. Trata-se, na sua quase totalidade, de peças de importação. O estudo destes exemplares permite-nos, deste modo, conhecer as rotas comerciais que então eram realizadas entre a cidade de Olisipo e o restante Império. A decoração destas cerâmicas, assim como o facto de uma larga percentagem possuir marca de oficina, permite-nos determinar a olaria e, a partir daí, o oleiro que as produziu e, deste modo, reconstituir os circuitos económicos e de distribuição, assim como a aferição de cronologias precisas para algumas das peças.

No que respeita à terra sigillata, é de sublinhar a importante colecção exumada no Teatro romano de Lisboa, quer em formas lisas quer em formas decoradas. A maior percentagem destes exemplares corresponde a terra sigillata de fabrico itálico, sendo substancialmente menor o caso da terra sigillata proveniente da Gália do Sul e quase inexistente a de produção hispânica.

Morfologicamente, estas peças correspondem essencialmente a cálices, taças, copos e pratos, sendo realizadas numa pasta extremamente depurada e fina, geralmente de tonalidades ocres ou alaranjadas, sendo recobertas por uma película, semelhante a um verniz, que lhe dá um brilho característico. Obviamente que peças desta enorme qualidade técnica e também artística só poderiam ser adquiridas por uma população com proventos económicos mais significativos.

O trabalho que se encontra a ser realizado encontra-se bastante adiantado, tendo objectivos a inventariação, desenho e estudo circunstanciado de cada uma das peças, depois de ter sido realizado o “puzzle” dos inúmeros fragmentos a fim de tentar obter formas completas. Encontra-se para breve a publicação destes resultados.

 Base de taça de produção itálica  Base de taça de produção itálica
Base de uma taça, incompleta, de produção itálica. Possui na face interior do fundo uma marca, feita com punção, em forma de uma planta de pé, inscrita num círculo duplo, em que se  pertencente ao oleiro itálico Xanthus com olaria em Pisa e onde as letras A^N^T^H se encontram em nexo.

A cronologia respeitante à laboração desta olaria está compreendida entre 5 a.C. e 50 d.C. Este intervalo, no caso presente, pode ser encurtado para 15 d.C. a 50 d.C., atendendo ao facto de que a indicação do nome do oleiro no desenho de uma planta de pé só ter começado a ser utilizada a partir do principado de Tibério.

A existência de fragmentos de terra sigillata decorada indica-nos uma classe populacional que importaria este tipo de peças. A quantidade destes exemplares leva-nos a concluir pela utilização quase corrente destas peças no seio de uma população endinheirada provavelmente, numa grande percentagem, de origem itálica e/ou romanizada. A colecção de sigillata decorada exumada nas últimas campanhas de escavação é superior à da capital de província da Lusitânia (Emerita Augusta).


 Fragmentos cerâmicos de uma lucerna  Fragmentos cerâmicos de uma lucerna

Fragmentos cerâmicos que depois de colados nos definem uma lucerna a que lhe falta a asa e o bico.

Este exemplar não nos permite determinar se se trata de lucernas de bico com representação estilizada de uma ave ou de volutas simples. Trata-se de um produto final de importação que se encontrava acessível nos mercados provinciais até meados do séc. I.

Investigadores do Projecto:

Eurico Sepúlveda; Lídia Fernandes

   
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