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CERÃMICA DA IDADE DO FERRO
Teatro Romano > Investigação > Estudos > Cerâmica da Idade do Ferro
O estudo ceramológico deste conjunto de peças depara-se pertinente por dois aspectos principais. Por um lado porque o conhecimento que actualmente se tem sobre o sítio de Lisboa durante o longo período de tempo que a abarca a Idade do Ferro, continua a ser diminuto. Por outro, porque o conjunto exumado nas últimas campanhas arqueológicas no Teatro romano é bastante grande e de enorme qualidade.

A análise destas peças e a sua comparação com outras similares indicam-nos uma intensa importação e a participação de Lisboa na rede das rotas atlânticas que passavam por este local e sua ligação aos mundos tartéssico e turdetano. A partir de meados do séc. IX Olisipo passa assim, a desempenhar um papel fulcral nestes contactos com o mundo mediterrânico levados a cabo, num primeiro momento, com os mercadores fenícios estabelecidos em Málaga e na Baía da Cádis e, progressivamente como ponto estratégico nas rotas atlânticas que estabeleciam as ligações entre o mediterrâneo e o Norte da Europa.

A confirmação deste progressivo e intenso comércio é o aparecimento de um número cada vez maior de produtos importados. A cerâmica, pela sua resistência e pelas decorações que ostenta permite saber onde as peças foram são produzidas e, desse modo, calcular as rotas comerciais que então existiam. É com base nestes dados que podemos concluir por uma franca expansão e dinamismo comercial do porto da cidade Olisipo a partir do século VII a.C., como é o caso da urna do tipo “Cruz del Negro”.

O estudo deste conjunto cerâmico que engloba centenas de peças, está a ser levado a cabo por um conjunto de investigadores que têm vindo a debruçar-se sobre a ocupação da Idade do Ferro da antiga cidade de Lisboa. Aguarda-se para breve a publicação circunstanciada destes materiais.a

 

 Fragmento de bocal de urna tipo “Cruz del Negro” Fragmento de bocal de urna tipo “Cruz del Negro”. Apresenta um bordo com lábio engrossado e pendente para o exterior de perfil amendoado. A superfície externa apresenta um acabamento cuidado, conservando pintura vermelha sobre o bordo e bandas paralelas vermelhas e negras no colo. Normalmente conotadas com o mundo funerário, a presença destas urnas em áreas de habitat tem vindo a ser uma constante. Trata-se claramente de uma importação, do séc. VII a.C., possivelmente de áreas mais meridionais como a Baía de Cádis ou área de Málaga.
 Kalathos (bordo)

Kalathos (bordo)
Barro vermelho com pintura (decoração na aba tipo “dente de lobo”). Produção Ibérica tardia séc. III / II a.C. (?)

 Pithos ou ânfora Pithos ou ânfora.
Barro vermelho com pintura de bandas.
1ª Idade do Ferro.

Investigadores do Projecto:

Lídia Fernandes; João Pimenta; Marco Calado; Victor Filipe

   
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