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INVESTIGAÇÃO DOCUMENTAL SOBRE O CELEIRO DA MITRA
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Sobre a antiga instituição do Celeiro da Mitra são parcas as referências que possuímos. As indicações bibliográficas que se referem a este edifício são extremamente diminutas. O Tombo da Cidade de Lisboa de 1755, da autoria de José Valentim de Freitas refere claramente que “o Aljube e o Celeiro estão distinctos e habitados”, tendo sido esta a razão pela qual, aquando da realização do Tombo, não foi feito o respectivo levantamento. Assim sendo, apenas a reconstituição das propriedades em redor deste edifício nos poderá fornecer informações sobre a sua dimensão, trabalho este que se encontra em curso.

Curioso também constatar a profunda alteração desta parte da cidade com a reconstrução de Lisboa. Com efeito, múltiplas artérias são desactivadas. Assim, a nova artéria da Rua de S. Mamede ao Caldas, substitui o anterior traçado medieval, desactivando a antiga Rua dos Cónegos, o Beco do Leão, o Beco do Aljube, a Calçada do Quebra Costas e a Rua do Arco de S. Francisco.

Este projecto de investigação sobre o antigo Celeiro da Mitra só é possível se forem confrontados os dados arqueológicos com os dados documentais. O levantamento sistemático de bibliografia, assim como a consulta de documentação inédita do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e o mapeamento das antigas propriedades que confrontavam com o antigo Celeiro da Mitra, são algumas das linhas de investigação que se encontram a ser realizadas. Apenas o cruzamento destes dados com os das intervenções arqueológicas permitirão conhecer melhor a história deste edifício.

 

 Pátio do Aljube

 

O actual Pátio do Aljube é o sucedâneo do antigo Beco do Aljube Com Saída. Curiosamente, a largura que este pequeno pátio possui é praticamente coincidente com as dimensões que são indicadas no Tombo de 1755. É por este pátio que actualmente se acede ao Museu do Teatro Romano.

 Pequeno beco detectado na intervenção arqueológica de 2001

 

Pequeno beco detectado na intervenção arqueológica de 2001, que teria ligação ao antigo Beco do Aljube Com Saída.

Este beco que se vê na imagem tem um pavimento em seixo rolado, com grande percentagem de pedra basáltica, e constituía o antigo Beco do Aljube por Detrás do Celeiro da Mitra, o qual foi desactivado com o terramoto de 1755.

Espaço ao ar livre com dois corredores, Celeiro da Mitra Intervenção arqueológica na zona do pátio da Rua de S. Mamede nº 3, em 2005.

Esta área, pertença do Celeiro da Mitra, correspondia no séc. XVIII, a um espaço ao ar livre com dois corredores, a Norte e a Sul, coberto por alpendres. As talhas em cerâmica, para conservação de produtos alimentícios, foram aqui encontradas in situ e situavam-se nesses dois corredores. Os contentores estavam enterrados, sendo apenas acessível o seu bocal.

Investigadores do Projecto:

Lídia Fernandes; Rita Fragoso de Almeida

   
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