Ao longo das várias intervenções arqueológicas foi possível observar distintos sistemas construtivos que foram empregues na construção do Teatro romano. Estes elementos permitem inferir por uma sábia adequação dos materiais e técnicas empregues no que se construía, o que implica um amplo e profundo conhecimento da matéria-prima e das suas possibilidades.
Deste modo, a cavea do Teatro implantou-se no afloramento rochoso existente no local, motivo pelo qual os construtores romanos escolheram esta colina de declive acentuado. Esta razão levou a que, durante algum tempo, alguns investigadores considerassem que haveria uma influência grega na edificação do edifício, já que esta característica é usual em teatros daquela época. Refutando tal opinião, observa-se uma total adequação do espaço ao edificado, símbolo do enorme pragmatismo construtivo romano.
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Pavimento na área Este do Teatro, junto ao aditus maximus.
É possível observar parte do pavimento que aproveitou o afloramento rochoso natural para talhar grandes blocos. Bem evidente na zona do ângulo, local onde o afloramento constitui o pavimento e, simultaneamente, a parede de uma das entradas monumentais do teatro. |
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Um fuste de coluna onde ainda se conserva parte do estuque que recobria a estrutura pétrea. Esta camada é espessa e composta por várias “capas”. Uma primeira é mais grosseira, com grande percentagem de cal e com elementos não plásticos de maior calibre. Esta “capa” é recoberta por uma outra, mais fina, que constituiria a superfície exterior homogénea que, posteriormente, seria pintada.
O bloco pétreo apresenta estrias longitudinais, realizadas no biocalcarenito. A matéria-prima utilizada é a pedra local, de constituição pouco homogénea que obrigava ao revestimento com argamassa e estuque da sua superfície. Esta técnica tem tradições republicanas e foi utilizada, sensivelmente, até à época do Imperador Augusto. |
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Parte da estrutura do postcaenium.
Esta área é integralmente realizada em opus caementicium. Este tipo de material, como se pode observar no pormenor em destaque, emprega pedras informes de biocalcarenito que são misturadas com argamassa feita à base de grande percentagem de cal e com areia de rio essencialmente quartzítica. Os blocos pétreos, dada a sua constituição grosseira e com grande número de espaços ocos, permitem uma total coesão da argamassa e respectivos ligantes com as pedras. De realçar que não há emprego de qualquer cerâmica comum nesta construção, aspecto que confirma a função de infra-estrutura desta parte do teatro, tornando-a mais robusta, o que atesta cronologias recuadas.
Esta técnica possibilita uma maior rapidez executiva, assim como uma diminuição dos custos, não exigindo, de igual modo, técnicos especializados. |
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Investigadores do Projecto:
Lídia Fernandes