Foi essencialmente a intervenção arqueológica realizada em 2001 que possibilitou o achado de estruturas dos sécs. XVI/XVII. Estas, identificadas com o edifício do antigo Celeiro da Mitra, revelaram-nos alguns pormenores técnicos curiosos, como seja a utilização de barrotes de madeira no interior das paredes, técnica que torna as edificações mais leves e flexíveis.
A qualidade evidenciada por estas estruturas não é grande, constatando-se o reaproveitamento de materiais e sendo a decoração destes espaço bastante simples. O aparecimento de inúmeros azulejos enxaquetados são o único elemento a sublinhar. O revestimento das paredes é realizado com simples camadas de cal, evidenciando-se múltiplas camadas sobrepostas.

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Intervenção arqueológica de 2001, quando surgiram as estruturas habitacionais do Celeiro da Mitra, edifício que terá sido construído nos finais do séc. XVI ou nos inícios da seguinte centúria. Na imagem pode-se observar um dos muros dessa construção, ainda não integralmente escavado. No centro do muro, e dispondo-se longitudinalmente, observa-se uma concavidade de cor escura que corresponde à carbonização da trave de madeira que aí existia.
A inserção de barrotes de madeira no interior dos muros tornava as construções mais leves e era uma técnica frequentemente utilizada em época pré-pombalina.
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Esta estrutura pertence ao Celeiro da Mitra. O actual revestimento, com tijolos, pequenas pedras (parte inferior) e estuque (parte superior) corresponde a uma capa, ou revestimento, que recobriu a estrutura interna que é composta pelo postcaenium.
Os locais indicados, ou seja os pequenos orifícios circulares que se localizam imediatamente por baixo do estuque, são os buracos para a colocação das traves de madeira que suportariam o soalho. Assim, encontramo-nos na transição entre o piso inferior e o superior, ainda que o pavimento original não se tenha conservado. |

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Neste pormenor do revestimento da parede são nítidos os elementos reaproveitados, tal como os tijolos partidos e pequenas pedras facetadas, reutilizadas de outras edificações. |
Investigadores do Projecto:
Lídia Fernandes