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O Teatro clássico 
 
 
A literatura constituiu um dos principais veículos de helenização do Império Romano, tendo alguns autores, como Lívio Andronico, sido responsáveis pela tradução de textos gregos e pela sua utilização e divulgação entre as elites literárias e culturais romanas. Inicialmente com uma finalidade didáctica, sobretudo para o ensino do grego, estas traduções foram sendo progressivamente mais procuradas e a sua divulgação cada vez maior.

Apesar de inicialmente não estar subjacente a existência de um espaço físico permanente para a leitura destes textos - exceptuando as aulas e colégios – a necessidade da sua criação foi-se impondo gradualmente. A realização de espectáculos onde os textos eram encenados, foi um dos principais canais de divulgação dos autores gregos e helenísticos.

Na civilização Grega o teatro constituía uma encenação do sagrado, ligada ao deus Dionísio, motivo pelo qual se realizava nas proximidades dos templos. A transformação dos locais onde as representações tinham lugar, em edifícios construídos e autónomos, foi muito prolongada no tempo.

Os ludi, ou jogos, detinham inicialmente uma função exclusivamente religiosa, podendo incluir representações cénicas. Eram organizados por sacerdotes em honra de várias divindades, mas rapidamente a sua realização ultrapassou esse carácter, multiplicando-se o número de comemorações que incluíam esse tipo de actuações.

Os jogos, custeados por dirigentes políticos ou por particulares, tinham lugar aquando da celebração de uma conquista militar ou por ocasião das cerimónias fúnebres de uma personalidade ilustre.

 

A DIFUSÃO DO TEATRO ROMANO

A criação do teatro e a sua multiplicação pelas províncias romanas comprova o processo de romanização. Este fenómeno corresponde não só à adopção de um tipo arquitectónico bem definido mas sobretudo à aceitação de um estilo e das correntes culturais que lhe são inerentes.

Curiosamente, não foi em Roma que os primeiros edifícios teatrais de carácter permanente foram construídos, mas sim em Pompeia, Sarno, Pietrabondante, Cápua, tendo sido edificados entre os finais do séc. III a.C. e o séc. II a.C.

Este modelo arquitectónico viria a tornar-se um dos mais divulgados por todo o Império Romano. Observando as províncias romanas a Oriente e Ocidente, o número de teatros actualmente conservados ronda as quatro centenas, um número relevante que confirma a sua aceitação entre a população romana.

Na Península Ibérica (Hispânia) existem mais de vinte espaços cénicos, número que aumenta consideravelmente quando avançamos para as províncias mais próximas da capital do Império, culminando na província itálica, onde se contam mais de oitenta teatros.

Na Hispânia, a edificação da maior parte deste espaços sucedeu após a pacificação das províncias ocidentais, tendo o grande impulso para a sua construção sido dado a partir da época de Augusto, por vezes por ordem do próprio Imperador ou dos seus súbditos directos. Acções de evergetismo (mecenato) foram também habituais, ainda que o maior número tenha ocorrido numa fase posterior à edificação, centrando-se em acções de remodelação cénica e no embelezamento e ornamentação dos espaços. O teatro era o palco ideal para manifestações de influência e poder, servindo também como veículo de propaganda dos actos de benemerência que eram realizados. Tais acções sucederam no teatro de Lisboa, no teatro de Itálica, em Málaga ou no teatro de Mérida entre muitos outros.

O fim destes edifícios acompanhou as mudanças que ocorreram no próprio Império em época tardo romana. O abandono da maioria destes espaços ou a alteração da sua funcionalidade, operada a partir dos finais do séc. III e início do século seguinte, foram o reflexo de alterações na sociedade. A progressiva miscigenação cultural alterou os gostos, passando os ludi circenses a atrair as maiores atenções.

 Provincia de Lusitânia e Provincia de Tarraconensis Província da Lusitânia

1 – Bracara Augusta
2 – Olisipo
3 – Augusta Emerita
4 – Mettellinum

Província Baetica

5 – Regina
6 – Corduba
7 – Itálica
8 – Gades
9 – Baelo Claudia
10 –Carteia
11 – Acinipo
12 – Málaga
13 – Singilia Barba

Província Tarraconensis

14 – Toletum
15 – Segobriga
16 – Clunia
17 – Bilbilis
18 – Caesaraugusta
19 – Tarraco
20 – Baetulo
21 – Pollentia
22 – Palma
23 – Saguntum
24 – Carthago Nova

 
 Localização dos teatros romanos conhecidos da antiga Hispânia (adap. De: Fabião, Carlos, “O Passado Proto-Histórico e Romano”, in História de Portugal, vol. I, 1993, p. 229)


Contactos
Museu do Teatro Romano

Pátio do Aljube - Lisboa

1100-059 Lisboa

Tel: 21 882 03 20

email: museudacidade@cm-lisboa.pt

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