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Mérida 
 
 
O teatro romano de Mérida é um dos mais bem preservados na Península Ibérica. A estrutura que hoje podemos observar, com revestimentos em mármore e com a frente cénica decorada por capitéis coríntios e inúmeras estátuas, não corresponde à edificação original de época augustana. Com efeito, uma inscrição inaugural que se conserva num dos lintéis do aditus maximus (porta principal) refere Marco Agripa, genro do Imperador Augusto e seu amigo, como o possível ofertante deste espaço em 16 a.C.

O caso de Mérida é paradigmático já que se trata de uma cidade criada para os veteranos de guerra. Apesar de as últimas intervenções arqueológicas terem permitido concluir que este novo estabelecimento se instalou sobre um núcleo populacional preexistente, foi apenas sob o domínio romano que este local se desenvolveu. O projecto desta nova cidade contemplou, desde o início da implantação romana, todas as infra-estruturas necessárias. A área destinada aos espectáculos públicos foi edificada logo após a criação do sistema de esgotos, da construção da ponte e de algumas das vias públicas de acesso à cidade.

A construção do conjunto teatro/anfiteatro, localizados lado a lado, corresponde a um projecto mandado edificar por Agripa, de acordo com uma ordem directa do próprio Imperador. Um projecto tão ambicioso quanto este, certamente se arrastou no tempo e sofreu múltiplas alterações e remodelações ao projecto inicial. Assim, as múltiplas campanhas de obra que o teatro de Mérida sofreu retratam bem a diversidade de soluções arquitectónicas, decorativas e construtivas que foram sendo adoptadas. A ordem coríntia, a imagética decorativa, o revestimento com placas marmóreas da orchaestra e a morfologia do proscaenium correspondem a soluções da época do Imperador Cláudio. Ainda que tenham restado vestígios do emprego do estuque, frescos e pequenos bronzes com motivos vegetalistas que devem ter decorado o edifício, a temática decorativa inicial permanece desconhecida.

uma das entradas laterais de acesso ao pulpitum, ou palco, por onde poderiam entrar os actores.
perspectiva geral da frente cénica do teatro de Mérida, podendo-se ver igualmente o muro do proscénio com os respectivos nichos e a orchaestra.
Parte tardoz da fachada cénica, ou seja, a estrutura do postcaenium.

Contactos
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Tel: 21 882 03 20

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