O Teatro romano da cidade de Olisipo foi edificado nos inícios do séc. I, na época do Imperador Augusto. Apesar de não existir qualquer inscrição que nos confirme esta cronologia, existem indícios suficientes para que seja considerada segura.
Em contrapartida, encontra-se epigraficamente documentada a remodelação do teatro ocorrida em 57 d.C., comprovada pela inscrição do muro do proscaenium que refere as obras de renovação dessa mesma estrutura, bem como da orchaestra, custeadas pelo seviro augustal Caius Heius Primus. Este tipo de financiamento de obras públicas, que é antes de mais um acto de propaganda para quem as custeia, integra-se nas correntes evergéticas habituais por todo o Império, tendo em Olisipo atingido o auge na época julio-cláudia.
EDIFICAÇÃO
Os capitéis jónicos com revestimento a estuque e as bases sem plinto, documentam-nos uma morfologia compositiva e uma decoração radicadas no período tardo-republicano. Executados em pedra local, o calcarenito, estas peças não conservaram contudo a decoração realizada no estuque de revestimento que originalmente possuíam. O recurso ao biocalcarenito em todos os elementos decorativos e construtivos, coloca a edificação do teatro de Olisipo numa período recuado da romanização.
REMODELAÇÃO
Em 57 d.C o projecto de remodelação ficou patente na repavimentação da orchaestra e na renovação do proscaenium, recorrendo ao emprego de pedras marmóreas de cor cinza combinando com outras em calcário margoso de cor rosa. A imagética decorativa também foi renovada, datando desta época as duas estátuas de sileno produzidas em mármore branco. Esta "marmorização da arquitectura", foi um fenómeno que surgiu no centro do Império durante a época de Augusto, tendo mais tardiamente sido igualmente identificado nas províncias ocidentais. Este processo é designado por alguns autores como a passagem de uma "arquitectura militar", balizada entre o séc. I a.C. e a primeira metade do séc. I d.C., para a "arquitectura do mármore".
ABANDONO
A partir do séc. IV o teatro de Olisipo foi abandonado, não como resultado de qualquer destruição repentina ou cataclismo, mas antes por já ter cumprido a sua função. Terão sido as mudanças de gostos e de atitudes que levaram a que estes espaços fossem lentamente abandonados. Neste período, a construção de outros edifícios públicos de carácter lúdico na cidade de Olisipo, como é exemplo o circo (séc. III/IV) edificado na actual Praça D. Pedro IV (Rossio), significa antes de mais, que a população passou a preferir divertimentos de cariz mais imediato, mais emotivos e audaciosos.
Após o abandono, o espaço do teatro foi sendo compartimentado e aproveitado para servir de habitação a uma população empobrecida, resultado das dificuldades económicas e da instabilidade social que caracterizaram a época tardo romana.
A ESCOLHA DO SÍTIO
O local para a implantação do Teatro romano foi estratégica e intencionalmente escolhido. Situado a meio da encosta da actual colina do Castelo de S. Jorge, a magnífica paisagem de que desfruta constituiu, certamente, um dos factores a determinar a sua localização.

O aproveitamento do declive natural para o encaixe da parte inferior do teatro - zona da orchaestra e do primeiro anel de bancadas - assim como o aproveitamento do afloramento rochoso resultante do desbaste da rocha, utilizada como matéria-prima, foram também factores determinantes para a eleição do local.
Contudo, a principal razão terá sido a localização do edifício na parte mais nobre da cidade, com um acesso rápido ao porto e à parte baixa. Apesar de até ao momento desconhecermos onde se localizaria o fórum de Olisipo, é legitimo supor que não seria muito distante do local onde foi erigido o teatro.