A reconstituição tridimensional do Teatro Romano de Lisboa
O actual modelo tridimensional, elaborado por técnicos do Museu, teve por base o grande conjunto de peças desenhadas, registos fotográficos e outros suportes gráficos resultantes de levantamentos dos dados existentes. Na ausência de alguns elementos materiais, recorreu-se pontualmente aos princípios teóricos definidos por Vitrúvio, depois de ensaiados e calibrados com hipóteses interpretativas.
A reconstituição apresentada é também uma hipótese interpretativa tentando-se, com base nos poucos vestígios que se conservam, oferecer uma imagem do que poderá ter sido o teatro de Felicitas Iulia Olisipo.

Imagem da reconstituição de uma das partes mais nobres do teatro romano, a área do palco, em madeira, que se apoiava em pilares quadrangulares distribuídos por duas fiadas paralelas. À direita é possível ver o pavimento colorido da orchaestra onde se sentariam as personalidades ilustres da cidade de Olisipo.
Ao fundo, os degraus das bancadas onde se distribuía a restante população e o aditus maximus, ou entrada principal. À esquerda, uma perspectiva da frente cénica ornamentada com colunas jónicas.
Na fotografia actual, podemos observar alguns dos vestígios das partes do teatro. São visíveis os pilares que seguravam o palco, assim como o espaço semicircular que definia a orchaestra. Actualmente apenas é visível cerca de metade dessa área, uma vez que um edifício construído na década de 1940, se sobrepôs às ruínas do teatro.

Vista de Norte para Sul do Teatro de Olisipo, sendo visível a área das bancadas e a zona da frente cénica. Reconstituição do muro do proscaenium, articulado em nichos reentrantes que alternam entre a morfologia semicircular e a rectangular. A imagem obtida apenas foi possível graças à recuperação de algumas das pedras desse muro (fig. seguinte). Os elementos de cor rosa e cinza, alternam entre si, adequando-se esteticamente à pavimentação da orchaestra, elaborada com pedras de cores idênticas.
Na face exterior das pedras do proscaenium foi gravada uma inscrição onde se refere que a remodelação dessa parte do teatro foi custeada pelo seviro augustal Caius Heius Primus. Estes elementos foram recuperados nos finais do séc. XVIII, bem como nas primeiras intervenções realizadas no Teatro em 1964 e 1965.

Reconstituição da área da orchaestra com a pavimentação em placas quadradas cor-de-rosa, rodeadas por lajes rectangulares de cor cinza, articulando-se decorativamente com as pedras empregues no frons pulpitum. A reconstituição desta área foi possível pelo facto de ainda se conservarem algumas dessas placas de revestimento.
Podermos observar o respectivo esquema de montagem através do negativo que as lajes deixaram na argamassa onde foram assentes.
As estátuas de sileno foram posicionadas por cima do muro do proscaenium. Esta interpretação teve por base o estudo da peça e respectivas dimensões, assim como a comparação com idênticas soluções arquitectónicas e decorativas presentes em outros teatros do Império romano.