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Saber mais sobre Francisco Xavier Fabri
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Francisco Saverio (ou Xavier) Fabri (1761-1817), arquitecto italiano, veio para Portugal com D. Francisco Gomes de Avelar, Bispo do Algarve.
Em 1790, foi o autor do “Arco da Vila” ou “Arco do Triunfo” da cidade de Faro e reconstruiu a Igreja Matriz de Tavira. Em Lisboa, foi o autor do sóbrio Hospital da Marinha no Campo de Santa Clara (1797) e do raro exemplar da arquitectura funerária neoclássica que é o túmulo piramidal do príncipe Waldeck, no cemitério dos Ingleses em Campo de Ourique (1798) – onde são já notórios os princípios arcaizantes. Porém, a sua obra mais marcante viria a ser o Palácio da Ajuda, projectada em 1802 em parceria com Costa e Silva.
Fabri, com um espírito atento de «antiquário», apresentou em 1799 uma carta onde referiu ter mandado suspender por duas vezes as obras que se faziam «no sítio aonde se descobrio parte do antigo Teatro» e mostra aí preocupações de conservação das ruínas, tendo proposto ao rei a compra do terreno e «que se faça huma Parede ao redor do Teatro».
 O desenho aguarelado de 1798 atribuído a Francisco Xavier Fabri (Fig. 1) e a publicação em 1815 da autoria de Luís António de Azevedo (Fig. 2), continuam a ser fontes indispensáveis para uma primeira apreciação dos elementos arquitectónicos do teatro, bem como o primeiro e único levantamento que possuímos sobre o mesmo, antes que vários edifícios lhe fossem sobrepostos.


Os registos deste arquitecto italiano foram divulgados somente em 1815 quando o latinista Luís António de Azevedo publicou uma obra sobre o teatro romano de Lisboa com o título completo: Dissertação Crítico-Filológico-Histórica Sobre o verdadeiro anno, manifestas causas, e attendiveis circumstancias da erecção do Tablado e Orquestra do antigo Theatro Romano, descoberto na excavação da Rua de São Mamede perto do Castelo desta Cidade, com a intelligencia da sua Inscripção em honra de Nero, e noticia instructiva d’outras Memorias alli mesmo achadas, e atégora apparecidas.
 António de Azevedo refere explicitamente que foram os dados fornecidos por Francisco Xavier Fabri que lhe permitiram a inclusão dos novos elementos apresentados na sua obra. Para além do diletantismo próprio da época - que transparece nas longas descrições sobre as grandezas dos gregos e romanos e a importância do reino de Portugal, confirmada pela edificação de um teatro de época romana – na parte final da sua obra o autor explicita, com a apresentação da planta e respectiva legenda, o que se encontrou “… na excavação da rua de S. Mamede, que fica inferior à da Saudade, bem defronte da torre da Sé, um pouco assima da Paroquial Igreja de São Martinho”.
A planta que o autor inclui na sua obra terá sido realizada com base no levantamento de 1798 atribuído ao arquitecto italiano, “… que o perito Arquitecto Regio Francisco Xavier Fabri com espírito verdadeiramente Patriótico, e zelo do augmento da Nação Portugueza, nos comunicou gratuita e francamente, pedindo lhe nós as dimensões do referido Theatro, que não nas tínhamos ao principio tirado …”.


A publicação de 1815 é, pelas características tipográficas da impressão, uma regularização do traço e uma simplificação do desenho de prova. As diferenças são em alguns casos, substanciais, e dever-se-ão quer a uma interpretação do gravador, quer a uma uniformização imposta pela impressão, que contempla a normalização dos sombreados, reinventando contornos e traços de pincel que haviam ficado suspensos.
Se na base destes dois desenhos estiver o levantamento realizado, nove anos antes, pelo arquitecto Francisco Xavier Fabri, as enormes diferenças que se observam poderão significar que foram múltiplos os vestígios colocados a descoberto neste intervalo temporal, resultado dos trabalhos de desentulhamento das ruínas.


(Adaptação dos textos: LEITE, Ana Cristina; PEREIRA, Paulo, “Prospecto e planta das ruínas do teatro Romano de Lisboa”, Lisboa Subterrânea, Lisboa Capital Europeia da Cultura ’94, Lisboa, 1994, p. 208 e 209: FERNANDES, Lídia, “Sobre a decoração arquitectónica do teatro romano de Lisboa: a propósito dos desenhos dos séculos XVIII e XIX”, Revista O Arqueólogo Português - em publicação).

   
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